Meu jeito, meu mundo

Esse blog é como um diário, serve pra expressar pensamentos, angústias, alegrias, tristezas e algumas peculiaridades.
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09.12.07

A História Contada Sem Nome II




Capítulo 2:

    Depois de algumas horas, as duas chegaram na nova casa em São Paulo. Certamente era bem maior e confortável do que a de antes, em Uberaba. Tinha um muro verde e um grande portão prateado que dava para a garagem. Á esquerda tinha uma porta também na cor cinza, que dava entrada para o jardim. Este era grande e a grama era muito bem cuidada. Tinha uma churrasqueira no muro de pedras do lado esquerdo e uma ducha no muro em frente. Logo adiante estava a casa: um pouco maior que a antiga, mas ideal para três pessoas viverem bem e com privacidade. A pintura era verde bebê e a porta principal e a janelas eram brancas. Enquanto as duas contemplavam o jardim, os rapazes entravam descarregando a mudança. Nisso, um homem de aparência um tanto quanto cansada, de estatura mediana, cabelo preto com alguns fios grisalhos apareceu à porta.
    -Mel! Lúcia! Enfim vocês chegaram!-disse o homem impaciente.
    -Mariano, a viagem foi longa. E como estão as coisas?- perguntou Lúcia, cumprimentando o marido com um beijo.
    -Está tudo limpo lá dentro, mas vai demorar alguns dias até tudo entrar no lugar! E você, mocinha? Como foi de viagem?- perguntou o pai, dando um forte abraço na filha, como se não a visse há meses.
    -Bem, pai. Mas que casa linda! Ganhou na mega sena e não nos contou, foi?-disse Mel, ainda maravilhada com a beleza do imóvel.
    -Não, não. A casa vai ser quitada em alguns anos. Devemos ficar aqui um bom tempo. Depois que os rapazes terminarem o serviço, vai lá conhecer seu quarto! Tenho certeza de que vai gostar!
    -Se o resto da casa for tão legal quanto o que eu estou vendo até agora, vou sim.
    -Mariano, você já tomou o seu remédio? Com o coração não se brinca! E não diga que não teve tempo e...
    -Calma, Lúcia! Já tomei hoje mais cedo enquanto...
E deixando os pais discutindo sobre o remédio pro coração de Mariano , Mel se afastou e digitou no seu celular:

“Nanda, você tinha razão. A casa é linda e sinto que vai dar tudo certo aqui. Beijos”

    E com um sorriso esperançoso, enviou a mensagem para o celular da prima.
    Passou algum tempo até que os rapazes terminassem de colocar tudo dentro da nova casa. Mas depois que isso aconteceu, os três entraram e passaram a discutir a sobre a posição de cada objeto em cada cômodo. A sala era um cômodo grande e com uma grande janela para o jardim. Lúcia achava que o jogo de sofá deveria ficar contra a janela, enquanto Mariano julgava melhor que ficassem perto da mesma. A cozinha também era espaçosa, como exigiu Lúcia. Era muito branca e na copa, tinha uma mesa redonda para refeições. Apenas o banheiro era um pouco pequeno segundo Lúcia, o que gerou um mal estar entre o casal, que logo foi dissipado. Enfim chegaram aos quartos. O do casal era grande e com vista para o quintal dos fundos, que não era muito grande e certamente ia servir como área de serviço. Enfim chegaram ao quarto de Mel. Era uma suíte no tamanho exato para uma menina de 15 anos. Tinha um papel de parede floral suave, e um aspecto muito calmo.
    -Uau! Adorei o quarto pai. Mas será que vai caber tudo aqui dentro? Sei lá...não tenho muita noção dessas coisas...
    -Vai sim! Vai caber tudo direitinho.-respondeu prontamente Lúcia. E a gente tem que matricular você na escola nova, filha.
    -Ainda temos algumas semanas, mãe. –disse Mel, num tom que mostrava que não era sobre a escola que ela estava a fim de falar naquele momento.- Mas pai, tô assustada. Como você conseguiu dinheiro pra uma casa dessas? Que negócios são esses que antes de você ser efetivado já te dá condições de comprar um imóvel desses?- perguntou a menina sem entender.
    -É um empreendimento novo, tive um bom adiantamento. E como já disse financiei a casa... Agora, vamos comer alguma coisa e dormir. Estou muito cansado.-disse ele, num tom de quem coloca um ponto final em um assunto que não o está agradando.
    -Vamos sim. Vou pegar alguns colchonetes e arrumar pra gente. –disse Lúcia.
    -Tá bom. Nossa, também tô muito cansada.
E os três saíram do quarto e fecharam a porta. Em seguida, se dirigiram à cozinha, onde havia umas bolsas certamente com comida encomendada por Mariano. Enquanto a menina comia faminta, os pais conversavam em tom baixo perto de uma das janelas.
    -Você acha que ela não percebeu nada? –perguntou Mariano curioso.
    -Creio que não. Não sei se foi uma boa idéia sua a gente vir pra uma casa tão bonita assim, ela pode ficar desconfiada. Mas até agora, ela só ta impressionada com a mudança.
    -Acho que essa casa bonita e o novo colégio vão desviar a atenção dela. Ainda bem que conseguimos sair de Minas em tempo. Já estavam em direção à pista certa.
    -É, mas mais uma vez não conseguiram e nunca vão conseguir o que querem.- respondeu Lúcia, com desdém na voz.
    -Creio que em uma cidade enorme como essa a chance de sermos encontrados diminui bastante...
    -Pai! Mãe! Vocês não vão comer??? Tá esfriando!- gritou Mel, interrompendo a conversa dos pais, sem nem imaginar sobre o que conversavam.
    -Ah, sim. Já estamos indo! –gritou a mãe, acalmando os ânimos da menina. Depois terminamos este assunto.-disse Lúcia baixinho ao marido.
    Mariano fez sinal afirmativo com a cabeça e os dois seguiram para a mesa na copa. Indo em direção à filha, Lúcia tinha uma expressão de desagrado e disse:
    -Filha, tome um banho antes de dormir. Seu cabelo está horrendo!-disse ela, passando a mão por entre os cabelos castanhos da filha, que iam até a altura dos ombros.
    -Que isso, mãe. Não acho que esteja tão ruim assim, e aliás, como vamos achar xampu nessa bagunça toda? –respondeu a menina.
    -Eu separei as coisas mais urgentes em uma caixa. E além do mais, agora estamos em São Paulo, não dá mais pra gente andar por aí desleixados como antes.
    -Ok, mãe.- concordou a menina não muito satisfeita.
    E então Lúcia sentou-se na mesa junto da filha e do marido, que trocou um olhar com a esposa de que sabia o porque e aprovava o fato de ela ter mandado a menina para o banho. Os três jantaram. Logo após Mel foi tomar o banho, praticamente obrigada por Lúcia. Durante o banho da menina, os pais tiveram uma conversa impaciente no jardim. Ora demonstravam aflição e quase alteravam o tom de voz um com o outro, ora demonstravam alívio e pareciam muito felizes com a nova casa. Assim que a menina apareceu no jardim de banho tomado, a conversa cessou e automaticamente todos entraram em casa. Lúcia arrumou os colchonetes ajudada pela filha, que logo que encostou a cabeça no travesseiro e dormiu. Então os pais tomaram seus respectivos banhos e dormiram também. Antes da meia noite, não havia mais ninguém acordado na casa da família de Mel.
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