Capítulo 5
Capítulo 5
Quando Mel e Lúcia entraram na sala da diretoria, a impressão de imponência que a menina teve em relação ao colégio aumentou significativamente. A sala da diretoria era grande, espaçosa e com uma estante cheia de troféus. Nas paredes, fotos de antigos diretores e certificados de excelência. Alguns metros a seguir estava sentada uma senhora de aparência muito simpática expressando enorme satisfação em recebê-las. A diretora pediu que se acomodassem nas duas cadeiras que estavam em frente a sua escrivaninha, e logo iniciou o assunto.
-Bom dia! Eu sou Rosangela Barcelos, diretora da instituição- disse, trocando um aperto de mão com a mãe da aluna.
-Bom dia, diretora. Como o combinado, eu e minha filha Melissa viemos para a entrevista. –concluiu Lúcia animada.
-Ah, sim. Muito bom. E você mocinha, tudo bem?- disse, virando-se em direção à menina.
-Ah...tudo...tudo ótimo- respondeu Mel, mal disfarçando seu nervosismo.
-É...ela está um pouco nervosa diretora, mas é normal- disse Lúcia, interrompendo um abrir de boca da professora, que certamente era em relação ao nervosismo da garota.- Ela sempre sonhou em estudar nessa escola, desde pequena- neste instante Mel olhou para a mãe espantada com a mentira: há algumas semanas atrás ela nem tinha idéia da existência daquela escola- Então, parece estar realizando...um sonho- concluiu a mãe, expressando orgulho da filha.
“Como assim? Eu nunca havia ouvido falar nessa escola. Foi VOCÊ quem quis que eu estudasse aqui. Ficou louca?”, pensava ela naquela hora, quando a diretora novamente olhou pra ela e perguntou:
-Ah, é? Muito bom, Melissa! E como ficou sabendo sobre a nossa instituição?
-Através de amigos!- respondeu prontamente Lúcia, sem dar chances da menina responder, o que não foi nada mal pois ela não teria o que responder mesmo-. E de mim, que sempre admirei muito esta escola.
-Hum...bom sinal, não? Bom, então vamos direito a entrevista. –concluiu calma a diretora, mudando de assunto- A nossa escola como vejo que vocês já sabem é uma das mais tradicionais da cidade de São Paulo. O sistema de ensino e o material didático são muito bons, e o índice de aprovação no vestibular de nossos formandos sempre foram muito altos. Como vocês podem ver, temos uma estante com troféus –nisso Mel virou-se e observou melhor a estante: era realmente repleta de troféus de todos os tipos e tamanhos.- que foram conquistados pelos nossos alunos em competições inter escolares e também em disputas individuais. Recebemos também vários certificados, como o mais recente o de Melhor Corpo Docente.
Mel se sentia cada vez mais impressionada com o alto nível da escola- já sabia que era ótima, mas não imaginava encontrar uma sala cheia de troféus e certificados de excelência.
-A Escola oferece apenas o Ensino Médio, e todos os anos oferecemos 10 bolsas para os alunos do primeiro ano. Você participou do Processo Seletivo, Melissa?-perguntou a diretora.
-Não. É que mudamos recentemente pra cá. A gente é de Minas.
-Uhum. Mas não tem problemas, o processo seletivo é opcional. Bom as aulas ocorrem no período da manhã ou da tarde. As aulas são de Segunda a Sexta de 7h a 12h ou de 13h a 18h. Três vezes por semana você terá aulas a tarde, se for estudar de manhã, ou de manhã, se for aluna da tarde. Duas vezes por semana há aulas de práticas no Laboratório de Ciências e uma vez por semana Educação Física ou Produção de Texto, uma semana sim e outra não. Alguma dúvida?
-Não...mas, isso tudo é desde o primeiro ano?- perguntou a menina, assustada com tamanha carga horária da escola. Estudar de manhã, e ainda de tarde três vezes por semana? Parecia demais para ela.
-Sim. O objetivo do colégio é preparar vocês para o vestibular e até para a própria faculdade. Os alunos do primeiro ano geralmente estranham esse ritmo no primeiro trimestre, mas aos poucos vão se adaptando.- informou Carmem.
-Eu adorei o sistema de ensino- começou Lúcia entusiasmadamente- É muito bom ter aulas da laboratório, poucas pessoas têm essa oportunidade.
-É verdade. E nos dias em que tiver aulas no período da tarde a escola oferece almoço, mas você não é obrigada a almoçar aqui se quiser. Damos um intervalo entre uma aula e outra.
- Aham...-disse a menina, pesarosa.
-A nossa tesoureira já acertou com a senhora as formas de pagamento e o valor das parcelas? –perguntou a diretora à Lúcia.
-Sim, já estamos acertadas.
-Então...-continuou ela, tirando de uma das gavetas alguns papéis e mostrando-os à mãe da menina- essas são as regras de conduta da escola. Peço que vocês a leiam com mais calma em casa mas em as regras mais importantes são as seguintes: é proibido ao aluno fumar, consumir bebida alcoólica e namorar dentro das dependências da escola e fora dela enquanto estiver usando o uniforme da mesma. É proibido utilizar o laboratório e ao mesmo manusear objetos no mesmo sem a autorização e orientação de um professor. Ok?
-Sim- disse a menina, espantada agora com a disciplina aparentemente imposta pela escola.
-Então...também é proibido transitar pelo colégio sem o crachá que identifica a permissão do professor para tal ato...
Enquanto a diretora enumerava as inúmeras proibições, a ansiedade em Mel parecia no limite, pois agora estava conhecendo a parte real da nova escola: um centro de excelência, com uma carga horária extensa e cheio de disciplina. Será que teria tempo para fazer amigos nessa escola? Talvez pelo ritmo tão puxado da escola nem precisasse se preocupar em fazer amigos, pensou ironicamente.
-...e em caso da famosa cola, a pena mais leve dependendo do caso é a suspensão, podendo chegar até ao pedido de retirada do aluno das dependências da escola. No geral, as principais regras são essas. A menina pode praticar Educação Física normalmente?
-Sim, pode. Ela tem uma saúde de Ferro!- respondeu Lúcia orgulhosa, como se ainda estivesse falando de seu bebê.
-Então está tudo certo. Bom, agora gostaria de fazer algumas perguntas sobre a vida acadêmica da Melissa- disse a diretora, franzindo a testa num tom risonho (essa hora da entrevista devia realmente ser a mais delicada, pensou a menina). Bom, no geral, como são as suas notas?
Lúcia preparou-se para responder no lugar da menina, mas dessa vez ela chegou adiante, abrindo antes a boca e dizendo em alto e bom som.
-Até que são boas. De vez em quando tenho algumas dificuldades mas no geral são razoáveis- concluiu a menina num som de sinceridade.
-Ah, minha filha, sempre modesta!- retorquiu Lúcia.
A diretora lançou um sorriso amigável à mãe e voltou-se de novo para a menina.
-Quais são as matérias que você tem mais dificuldade?
-Bom, sei que no Ensino Médio entram matérias novas não é, mas até agora tenho tido mais dificuldade em Matemática- respondeu prontamente a menina, sendo mais uma vez mais rápida que a mãe. Seu nervosismo havia passado um pouco, em grande parte, pensou ela, pelo fato de estar conseguindo deter sua mãe e seus comentários para ela, inconvenientes.
-Sim,e você já fez algum tipo de reforço?
-Ela nunca precisou, sempre foi muito auto suficiente!- desta vez Lúcia vencera. Na sua cadeira Mel espumava de raiva: tudo bem que nunca havia feito aulas de reforço, mas essa história de auto suficiência pra ela era tão nova quando o fato de estar naquela escola.
-Muito bem, se você precisar, a escola conta com aulas de reforço nos Sábados. É só se inscrever, tudo bem?
-Sim, senhora.-respondeu a menina.
-Então, acho que a entrevista já chegou ao fim. A lista de material e os locais onde a senhora pode comprar os uniformes estão junto com o papel que lhe entreguei com as regras da escola. As aulas se iniciam na primeira semana de Fevereiro, ou seja, não falta muito, não é?
-Infelizmente- disse a menina num tom inaudível....
-Então nós, já vamos. Muito obrigada. –disse a mãe, que parecia estar desapontada com o final da entrevista.
-Não há de que! Esperamos você no primeiro dia de aula.
A menina retribuiu com um sorrisinho amigável, pensando no que diria à sua mãe assim que saíssem da sala da diretoria e então saíram, fechando a porta com cuidado.